quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Narciso Morreu

Narciso se olhou dentro dos olhos, mas nada enxergou. Narciso estava morto, é ele estava morto.

Sua beleza, tão excepcional e admirável agora já não passava mais de pedaços fétidos de carne espalhados por uma pele esbranquiçada.

Narciso morreu e ninguém chora sob o seu túmulo. Como chorar por alguém que a muito já não estava mais entre nós?

Narciso morreu, sua arrogância o agonizou lentamente até o seu último suspiro, o mais amargo dos suspiros.

27/10/11

domingo, 30 de outubro de 2011

Mais uma Noite Desperto

Auto-negação das expectativas que não se concretizam.

Auto-negação dos delírios de Dionísio.

4 da manhã, mais uma longínqua noite desperto, mais uma longínqua noite acompanhado dos meus demônios.

Os anos se passam e a tecla da segurança se mantém enferrujada.

Medito, escrevo, leio, fumo, bebo, mas de nada adianta, nada resolve – não é tão fácil assim.

Amanhã, mais um dos muitos dias de expectativas falhas. Só pode ser ele pregando mais uma peça, mais uma de suas cruéis peças.

É melhor fingir, deixar pra lá, quem sabe cansa menos.

Entupir a velha caixa mofada, resquícios de tinta nessas folhas amareladas.

Mais uma noite sem dormir, e você aí.

27/10/11

domingo, 9 de outubro de 2011

Facadas, Cortes e Cicatrizes

Ele voltou, ele voltou!

Eu já o conheço muito bem, mas ele sempre me aparece como um estranho. Meu querido inimigo, meu repulsivo amigo.

O buraco foi preenchido, efemeramente, mas o foi. Só que agora o vazio retornou, a indisposição, a sensação de incapacidade, de desistência.

Para se alcançar o pôr do sol às vezes se faz necessário ultrapassar por toda uma tempestade - pelo menos é o que dizem.

Facadas, cortes e cicatrizes. Somente isso que me restou. Escute, não estou desistindo, você me escutou? Mas entenda que por hora talvez o vazio seja melhor – mesmo que mais doído – do que esse caos que já está a bater em minha porta.

A perfeição do imperfeito, a simplicidade do complexo, o medo da coragem, o enigma da sinceridade em seu sorriso.

09/10/11

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Recusa

Flores murchas e frutos podres.
Sorrisos falsos estampados nos carros alegóricos.
Bagagem inutilizável.
Caos interno.
O vazio impreenchível.
Reversão dos sentidos
Omissão dos amores.

Céu acinzentado, sem nenhum tom de azul.
O mar secou.
O sol não raiou.
Os pássaros não cantam mais.

Depressão profunda.
O fundo do poço.
É lá, lá que a luz queima e te deixa no breu.

As crianças foram infectadas.
Os idosos apodreceram.
Os adultos se conformaram.
Os jovens foram enviados a sanatórios.
Pílulas.
Lobotomia.

O amor... O que é o amor?
Morreu, ele morreu.
Suicídio.
Suicídio moral.
Hipocrisia humanística.

Recusa.

14/09/11

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Agosto

Agosto se encerra e eu me sinto renovado. As semanas passaram, as folhas caíram e o fruto da vida nasceu em mim.

A vida é curta, passa tão rápido por nossos olhos quanto o tempo que demora a um suicida se jogar do topo do prédio e cair ensangüentado no chão. É, eu já fui esse suicida. Não faço juras de nunca mais o sê-lo, mas no momento, é o que menos quero.

Agosto me proporcionou um olhar diferenciado, além do que se vê. Até o horizonte mais distante eu posso enxergar. É, eu posso ir até o horizonte mais distante.

Caminho para um novo incêndio, o qual apesar de sair com algumas queimaduras, me manterá vivo. Tenho orgulho em estar vivo.

Agosto dos novos amores, Agosto do gás, Agosto das construções, Agosto do impulso vital.

27/08/11

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ser + Humano

O ser humano perdeu a sua essência, só sobrou-lhe o “ser” – se é que o “ser” ainda nos resta após tantas gerações – porque o humano já se transformou em um monstro.

Eles gritam suas teorias e teses ora reacionárias ora revolucionárias ora pseudo moralistas, vomitam suas salvações apoiados em ídolos distorcidos e tentam nos amordaçar para ficarmos completamente calados.

Veja bem, eu não sou o dono da razão, eu sou um merda, assim como você(s), mas eu enxergo que essas teorias de nada valem se não olharmos primeiramente na raiz dessa árvore. Qual é a raiz? A raiz é a humanidade. O homem deve aprender a se humanizar e compreender a essência de “ser” e a relevância do “humano”, e desvendar o mistério que une essas duas palavras.

Teorias vêm, teorias vão, e o monstro só cresce na humanidade, espalhando a discórdia, colocando um grupo contra o outro, tornando-os eternos rivais sem causa.

Pare, pense, somos todos humanos. Aprenda a humanizar e tranque esse monstro criado por você mesmo num quarto escuro, sem portas e sem janelas.

27/07/11

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Escafandro que Deseja Tornar-se Borboleta

Planos e promessas não cumpridas. Minha mente organiza tudo, cada ato em sua determinada gaveta e a data em que ela será aberta, mas na hora de abrir a gaveta eu fico amedrontado e não consigo abrir meus olhos e enxergar o que há lá dentro. Eu só permaneço escondido, espiando.

Não tenho coragem de proferir minhas palavras por medo do estrago que elas podem causar. Mereço um prêmio de “maior engolidor de sapos” por permanecer calado tantas e tantas vezes. Sou um escafandro que deseja tornar-se uma borboleta.

Mais um mês adiado, mais uma verdade guardada na caixa empoeirada ao lado.
Quando vou abrir a caixa e disseminar tudo por esse mundo? Quando vou contaminá-los com meu vírus insano? Quando vou injetar e gritar?

Erga-me a esse plano e faça-me não temer meus anjos, meus demônios e, especialmente, não temer o monstro que insiste em se intitular como humano.

27/07/11