quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Recusa

Flores murchas e frutos podres.
Sorrisos falsos estampados nos carros alegóricos.
Bagagem inutilizável.
Caos interno.
O vazio impreenchível.
Reversão dos sentidos
Omissão dos amores.

Céu acinzentado, sem nenhum tom de azul.
O mar secou.
O sol não raiou.
Os pássaros não cantam mais.

Depressão profunda.
O fundo do poço.
É lá, lá que a luz queima e te deixa no breu.

As crianças foram infectadas.
Os idosos apodreceram.
Os adultos se conformaram.
Os jovens foram enviados a sanatórios.
Pílulas.
Lobotomia.

O amor... O que é o amor?
Morreu, ele morreu.
Suicídio.
Suicídio moral.
Hipocrisia humanística.

Recusa.

14/09/11

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Agosto

Agosto se encerra e eu me sinto renovado. As semanas passaram, as folhas caíram e o fruto da vida nasceu em mim.

A vida é curta, passa tão rápido por nossos olhos quanto o tempo que demora a um suicida se jogar do topo do prédio e cair ensangüentado no chão. É, eu já fui esse suicida. Não faço juras de nunca mais o sê-lo, mas no momento, é o que menos quero.

Agosto me proporcionou um olhar diferenciado, além do que se vê. Até o horizonte mais distante eu posso enxergar. É, eu posso ir até o horizonte mais distante.

Caminho para um novo incêndio, o qual apesar de sair com algumas queimaduras, me manterá vivo. Tenho orgulho em estar vivo.

Agosto dos novos amores, Agosto do gás, Agosto das construções, Agosto do impulso vital.

27/08/11

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ser + Humano

O ser humano perdeu a sua essência, só sobrou-lhe o “ser” – se é que o “ser” ainda nos resta após tantas gerações – porque o humano já se transformou em um monstro.

Eles gritam suas teorias e teses ora reacionárias ora revolucionárias ora pseudo moralistas, vomitam suas salvações apoiados em ídolos distorcidos e tentam nos amordaçar para ficarmos completamente calados.

Veja bem, eu não sou o dono da razão, eu sou um merda, assim como você(s), mas eu enxergo que essas teorias de nada valem se não olharmos primeiramente na raiz dessa árvore. Qual é a raiz? A raiz é a humanidade. O homem deve aprender a se humanizar e compreender a essência de “ser” e a relevância do “humano”, e desvendar o mistério que une essas duas palavras.

Teorias vêm, teorias vão, e o monstro só cresce na humanidade, espalhando a discórdia, colocando um grupo contra o outro, tornando-os eternos rivais sem causa.

Pare, pense, somos todos humanos. Aprenda a humanizar e tranque esse monstro criado por você mesmo num quarto escuro, sem portas e sem janelas.

27/07/11

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Escafandro que Deseja Tornar-se Borboleta

Planos e promessas não cumpridas. Minha mente organiza tudo, cada ato em sua determinada gaveta e a data em que ela será aberta, mas na hora de abrir a gaveta eu fico amedrontado e não consigo abrir meus olhos e enxergar o que há lá dentro. Eu só permaneço escondido, espiando.

Não tenho coragem de proferir minhas palavras por medo do estrago que elas podem causar. Mereço um prêmio de “maior engolidor de sapos” por permanecer calado tantas e tantas vezes. Sou um escafandro que deseja tornar-se uma borboleta.

Mais um mês adiado, mais uma verdade guardada na caixa empoeirada ao lado.
Quando vou abrir a caixa e disseminar tudo por esse mundo? Quando vou contaminá-los com meu vírus insano? Quando vou injetar e gritar?

Erga-me a esse plano e faça-me não temer meus anjos, meus demônios e, especialmente, não temer o monstro que insiste em se intitular como humano.

27/07/11

quarta-feira, 13 de julho de 2011

São Paulo

A faca de dois gumes. Por um lado, a diversidade que tanto prezo, por outro, o caos que constantemente procuro evitar.

A cidade cinza, com seus carros, seus barulhos estrondeantes e sua poluição que necrosa as minhas narinas.

A cidade que amo, com seus bares, sua cultura e sua animação singular.

A felicidade atrelada com a tristeza, o alívio de mãos dadas com a dor, o sorriso acompanhado da angústia.

São Paulo, a cidade bi-polar que encanta.

04/07/11

Degrau por Degrau

Autoconfiança, (re) aprender a me aceitar, chegar ao ponto de me olhar no espelho e, ao invés de chorar ou gritar, esboçar um sorriso sincero.

É uma escada, uma gigante escadaria que constantemente aparenta não ter fim, mas hoje me foi possível enxergar que essa escada tem sim o seu topo e que dia menos dias eu o alcançarei.

E assim eu pretendo seguir, subindo um degrau de cada vez, pé por pé. Se eu vou chegar lá hoje, amanhã ou mês que vem tanto faz, o que importa é chegar, não é?

04/07/11

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Peço Paz

E é aquilo de nunca ter um lugar que me traga a paz. Lá eu sou obrigado a vestir a máscara do equilíbrio e transmitir a paz e serenidade para todos, mesmo que por dentro eu esteja desequilibrado. Já aqui eu sou obrigado a fechar meus olhos, tampar meus ouvidos e serras meus lábios, pois caso o contrário, eu já teria morrido – e olha que eu já morri de diversas formas que vocês nem imaginam.

Todo aquele velho receio de ser quem eu sou, de queimar todas as máscaras e me lançar sem medo aos leões.

Não, eu não tenho paz, não sou equilibrado e muito menos sou cego, surdo ou mudo. Se eu não enxergo é porque minha visão esta embaçada de tanto chorar, se eu não falo, é porque minha voz já desapareceu de tanto eu gritar, e se eu não escuto é porque meus tímpanos já necrosaram com toda essa merda que eu sou obrigado a escutar.

Suplico pela minha paz de espírito, pela minha liberdade e pelo fim de todas essas mordaças. Mostre-me o caminho capitão, eu lhe imploro. Assumo todos os riscos e, se preciso, faço esse mundo parar de girar.

03/07/11