quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

TIC-TAC, TIC-TAC, BUM!

TIC-TAC, TIC-TAC, BUM!
O tempo passa
Isso me deixa exausto
Não há mais sorrisos
O egoísmo tomou conta de todos os míseros seres rastejantes
Revolta.

TIC-TAC, TIC-TAC, BUM!
Me nauseia lhe ver vomitar palavras
Palavras falsas
Palavras imbecis
Palavras falhas
Hipocrisia.

TIC-TAC, TIC-TAC, BUM!
Eu dou meu melhor
Só recebo merda
Só recebo feridas
Só recebo dores
Fraqueza.

“Como um carro bomba não vejo minha hora de explodir e levar tudo comigo”.

20/09/11

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Narciso Morreu

Narciso se olhou dentro dos olhos, mas nada enxergou. Narciso estava morto, é ele estava morto.

Sua beleza, tão excepcional e admirável agora já não passava mais de pedaços fétidos de carne espalhados por uma pele esbranquiçada.

Narciso morreu e ninguém chora sob o seu túmulo. Como chorar por alguém que a muito já não estava mais entre nós?

Narciso morreu, sua arrogância o agonizou lentamente até o seu último suspiro, o mais amargo dos suspiros.

27/10/11

domingo, 30 de outubro de 2011

Mais uma Noite Desperto

Auto-negação das expectativas que não se concretizam.

Auto-negação dos delírios de Dionísio.

4 da manhã, mais uma longínqua noite desperto, mais uma longínqua noite acompanhado dos meus demônios.

Os anos se passam e a tecla da segurança se mantém enferrujada.

Medito, escrevo, leio, fumo, bebo, mas de nada adianta, nada resolve – não é tão fácil assim.

Amanhã, mais um dos muitos dias de expectativas falhas. Só pode ser ele pregando mais uma peça, mais uma de suas cruéis peças.

É melhor fingir, deixar pra lá, quem sabe cansa menos.

Entupir a velha caixa mofada, resquícios de tinta nessas folhas amareladas.

Mais uma noite sem dormir, e você aí.

27/10/11

domingo, 9 de outubro de 2011

Facadas, Cortes e Cicatrizes

Ele voltou, ele voltou!

Eu já o conheço muito bem, mas ele sempre me aparece como um estranho. Meu querido inimigo, meu repulsivo amigo.

O buraco foi preenchido, efemeramente, mas o foi. Só que agora o vazio retornou, a indisposição, a sensação de incapacidade, de desistência.

Para se alcançar o pôr do sol às vezes se faz necessário ultrapassar por toda uma tempestade - pelo menos é o que dizem.

Facadas, cortes e cicatrizes. Somente isso que me restou. Escute, não estou desistindo, você me escutou? Mas entenda que por hora talvez o vazio seja melhor – mesmo que mais doído – do que esse caos que já está a bater em minha porta.

A perfeição do imperfeito, a simplicidade do complexo, o medo da coragem, o enigma da sinceridade em seu sorriso.

09/10/11

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Recusa

Flores murchas e frutos podres.
Sorrisos falsos estampados nos carros alegóricos.
Bagagem inutilizável.
Caos interno.
O vazio impreenchível.
Reversão dos sentidos
Omissão dos amores.

Céu acinzentado, sem nenhum tom de azul.
O mar secou.
O sol não raiou.
Os pássaros não cantam mais.

Depressão profunda.
O fundo do poço.
É lá, lá que a luz queima e te deixa no breu.

As crianças foram infectadas.
Os idosos apodreceram.
Os adultos se conformaram.
Os jovens foram enviados a sanatórios.
Pílulas.
Lobotomia.

O amor... O que é o amor?
Morreu, ele morreu.
Suicídio.
Suicídio moral.
Hipocrisia humanística.

Recusa.

14/09/11

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Agosto

Agosto se encerra e eu me sinto renovado. As semanas passaram, as folhas caíram e o fruto da vida nasceu em mim.

A vida é curta, passa tão rápido por nossos olhos quanto o tempo que demora a um suicida se jogar do topo do prédio e cair ensangüentado no chão. É, eu já fui esse suicida. Não faço juras de nunca mais o sê-lo, mas no momento, é o que menos quero.

Agosto me proporcionou um olhar diferenciado, além do que se vê. Até o horizonte mais distante eu posso enxergar. É, eu posso ir até o horizonte mais distante.

Caminho para um novo incêndio, o qual apesar de sair com algumas queimaduras, me manterá vivo. Tenho orgulho em estar vivo.

Agosto dos novos amores, Agosto do gás, Agosto das construções, Agosto do impulso vital.

27/08/11

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ser + Humano

O ser humano perdeu a sua essência, só sobrou-lhe o “ser” – se é que o “ser” ainda nos resta após tantas gerações – porque o humano já se transformou em um monstro.

Eles gritam suas teorias e teses ora reacionárias ora revolucionárias ora pseudo moralistas, vomitam suas salvações apoiados em ídolos distorcidos e tentam nos amordaçar para ficarmos completamente calados.

Veja bem, eu não sou o dono da razão, eu sou um merda, assim como você(s), mas eu enxergo que essas teorias de nada valem se não olharmos primeiramente na raiz dessa árvore. Qual é a raiz? A raiz é a humanidade. O homem deve aprender a se humanizar e compreender a essência de “ser” e a relevância do “humano”, e desvendar o mistério que une essas duas palavras.

Teorias vêm, teorias vão, e o monstro só cresce na humanidade, espalhando a discórdia, colocando um grupo contra o outro, tornando-os eternos rivais sem causa.

Pare, pense, somos todos humanos. Aprenda a humanizar e tranque esse monstro criado por você mesmo num quarto escuro, sem portas e sem janelas.

27/07/11