segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Controlar Idealismos, Impusos e ter Paciência

O vazio foi preenchido, preenchido por mais incertezas, dúvidas e símbolos de interrogações que, por mais que eu tente sanar eles são impossíveis de se eliminar por completo. Quem sabe eles não devam permanecer aqui na minha mente mesmo...

Já estou habituado com todo esse meu masoquismo da alma, esse vício de escolher o caminho mais difícil, a estrada mais longa a qual exige tudo o que um bom ariano detesta: controlar idealismos, impulsos e ter paciência.

Idealismo, essa é uma palavra intensa. Sou bem utópico mesmo, daqueles que em certos momentos deixa-se levar pelas ondas, mesmo com a possibilidade de bater em uma rocha e acabar com tudo. Esse meu idealismo não se importa com a rocha. Mesmo possuindo plena consciência da existência da mesma eu procuro somente importar-me com o sol, as nuvens e todo o céu azulado.

Controlar os impulsos, extremamente complexo. Afinal, os impulsos devem ou não devem ser controlados? Impulsividade é bem engraçado, um dia ela te leva a glória e outro dia a derrota. Bem confuso e incerto mesmo.

Paciência, ô coisa chata! Como já foi dito, “o tempo é tudo pra todos”. Mas ô coisa difícil de lidar, o tempo, a paciência. A vida é curta e acredito que muitas vezes perdemos muito tempo, mesmo eu enxergando claramente que grande parte da vida se faz no seu tempo.

Meu imã para complexidade esta forte outra vez, mas tudo bem, dessa vez vou tentar me deixar levar e esperar que os ventos carreguem-me para a felicidade.

Sim, meus demônios estão fazendo a festa.

24/10/10

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Incêndio II - Um Novo Incêndio

Sinto minha pele formigar com um ardor sutil. Será que é ele quem esta voltando? Mas assim, tão depressa, tudo tão rápido... Calma, respire, minha mente precisa relaxar, meus pulmões precisam respirar.

Sina. Sempre caiu nessa velha sina de me sentir vivo. Não estou reclamando, pelo contrário, eu estou vivo não é mesmo? Mas, como já foi dito, esse é um dos maiores obstáculos da vida, estar vivo.

Se for pra queimar, que queime, eu anseio por um novo incêndio, um que acabe com a minha pele, que me deixe em brasas, que dilacere comigo. Eu sei que vou arder, mas eu possuo fé e sei que cada queimadura valerá a pena.

Despejo álcool por toda a superfície, acendo meu cigarro e jogo o isqueiro no chão. Que um novo incêndio se inicie, que as chamas ganhem as proporções que os deuses desejarem.

12/10/10

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Eu Sou Eterno

Vou além de todas as suas expectativas e de meus objetivos e sonhos até então inatingíveis.

Vocês vão tentar calar o meu grito, impedir o meu ato e me corromperem, mas é o seguinte meu caro, meu grito nunca terá fim, minha força permanecerá por gerações e minha ideologia é tão forte que nunca há de se corromper.

Eu sigo o meu caminho, eu luto, eu apanho, vou contra a maré, contra toda essa multidão, mas eu acredito, eu tenho fé em mim e, por mais que isso me direcione a morte eu sei que outros gritarão por mim, e gritarão tão alto que você não vai agüentar e será obrigado a ceder.

Minha voz não se cala, meu grito não cessa. Eu sou eterno.

06/10/10

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Suspiro

A primavera inicia-se com as suas flores dissimuladas e seus espinhos estridentes.

Suspiro, suspiro... Vai, tente respirar, encontre o ar em algum lugar de seus pulmões. Respire, respire. Suspiro, suspiro...

A bola de neve ganhou forças, a queda tornou-se escura e infinita, o incêndio nunca a de cessar.

Vermelhidão, olhos, lágrimas, palidez, mais lágrimas, fragilidade... Suspiro, suspiro.

Vai, respire, respire, você precisa respirar. Suspiro, suspiro.

Remédios não vão me curar.

Minimizar, minimizar... Refugiar, refugiar... Lar, lar...

Capitão, eu estou aqui, totalmente só, esperando por você, esperando que por misericórdia você me estenda a mão, puxe-me para o seu navio e retire cada sensação melancólica de meu peito.

Suspiro.

23/09/10

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Incêndio

Cada chama penetra friamente minha pele, cada labareda transpõe todo o seu ardor por cada célula de meu corpo, mas eu não me importo, isso faz com que eu me sinta vivo, com que eu me abstenha de assemelhar-me com um personagem fictício. Sim, a fumaça teima em irritar meus olhos, ocasionando uma lágrima ou outra, e assiduamente minha respiração torna-se assombrosamente mais e mais ofegante, bem como se ela fosse estacar. Mas pouco me importa, eu persisto em permanecer vivo.

Olho para o céu e deparo-me com uma imensa escuridão noturna unificada com a fumaça negra que exala do incêndio e do queimar em minha pele. Inicia-se uma chuva, obrigando o retrocesso incendiário a cada segundo, de centímetro em centímetro. Minha pele já não mais queima, eu já possuo forças para respirar e dos meus olhos lagrimas já não mais caem. Olho para o meu corpo e deparo-me só com uma queimadura, uma única queimadura em meu peito esquerdo.

Passa-se o tempo e a queimadura tranfigura-se em uma cicatriz. Eu levei dias, semanas, meses para entender o porquê de possuir uma única cicatriz após todo o desastre ocasionado devido ao incêndio. Compreendi que essa cicatriz nunca vai extirpar-se, sempre permanecerá tatuada em meu peito esquerdo, fazendo-se necessário que eu tenha forças para não ignorá-la - as tatuagens nunca somem -, e me cuidar para não observá-la constantemente e continuadamente, afinal, certas cicatrizes, quando as valorizamos muito, persistem em sangrar.

Atiro-me desesperadamente, desenfreadamente e desnorteadamente, rumo ao próximo incêndio. QUEIME, QUEIME, QUEIME. Eu quero arder em chamas, sentir minha respiração ofegar.

13/09/10

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Taberna de Reg IX

"Nihil durare potest tempore perpetuo
Cum bene sol nituit, redditur oceano
Decrescit Phoebe, quae modo plena fuit
Sic Venerum feritas saepe fit aura leuis"
Reg IX

"Nada pode durar eternamente
Embora ainda brilhe forte o sol, volta-se para o Oceano
Febe (Lua) diminui logo após a sua cheia.
Assim, a ferocidade das paixões transforma-se, com frequência, em brisa suave."
Tradução de Pedro Paulo Funari

12/09/10

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Navio II

O navio cansou de afundar e vedou todos os seus buracos. Agora o navio percorre mar adentro rumo à felicidade.

O navio navega sem direção, afinal, de que importa a direção? O que o navio deseja é ancorar em um porto onde ele se depare com a felicidade. Não a felicidade completa, o navio tem asco dos navios hipócritas que alegam gozar da mesma. O navio é convicto de que ela não existe, e se contenta com isso. Nunca ter a felicidade completa é o motor do navio nunca aportar muito tempo em um só cais. Sempre chega a manhã em que o navio decide partir rumo a outros modos de ser feliz. Assim, o navio se prepara e navega em outra direção a todo o vapor, seja ela norte, sul, leste ou oeste, pouco importa.
O navio compreende que haverá tempestades e que navios piratas vão tentar saqueá-lo, mas ele esta pronto pra isso, na verdade isso o incentiva.

O navio não para, o navio só navega em busca da felicidade. E não importa a direção, não importa a direção.

29/08/10